http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Faltam rivais para o Bayern | Página inicial | O futebol segundo os australianos »

4/08/03

Histórias

Os cervejeiros estão de volta

Quilmes x Rafaela 2003.gif

Nesse fim-de-semana começou o Torneio Apertura do Campeonato Argentino. Na primeira rodada houve um jogo que, em condições normais, teria tudo para passar desapercebido: o confronto direto dos dois caçulas do campeonato. Mas o Quilmes x Atlético Rafaela desse domingo merece um capitulo à parte. Não por ser a estréia do Rafaela – terceiro clube de Santa Fé – entre os grandes. Mas porque marcou a volta do tradicional Quilmes à elite após 11 anos no Nacional B.

Tradicional? Realmente, Quilmes soa estranho aos ouvidos brasileiros quando o assunto é futebol. Para nós, os clubes tradicionais do nosso vizinho platinos são Boca Juniors, River Plate, Racing, Independiente, San Lorenzo e Vélez Sarsfield. No máximo, o Estudiantes de La Plata. Mas um título nenhum desses times pode tirar do Quilmes: o de ser o clube de futebol mais antigo da Argentina.

O Quilmes foi fundado em 27 de novembro de 1887 pelo inglês JT Stevenson como Quilmes Rovers Athletic Club. A primeira formação da equipe já mostra as origens britânicas: Fothergil; Penman e Francis; Tuker, Wilson e Moffat; Lamont, Muir, Belaumont, Morgan e Cladewell. Os resultados não demoraram a aparecer. Em 1893 e em 1895, o Quilmes Rovers foi vice-campeão argentino, perdendo ambos os títulos para o Lomas Athletic.

Com 10 anos de idade, o clube mudou pela primeira vez de nome, passando a se chamar Quilmes Cricket Club. Em 1900, os quilmenhos se filiaram à AAF (Asociación Argentina de Football, atual AFA) e trocaram novamente de denominação. Dessa vez, para Quilmes Athletic Club. Mas nada de conquistas, já que o início de século do futebol argentino tinha um dono. Nos 11 campeonatos disputados entre 1901 e 1911, o Alumni conquistou 9 títulos e ficou com 2 vices. Essa dinastia acabou em 1912, quando o maior campeão da era amadora do futebol argentino interrompeu suas atividades.

Quilmes_logo.gif

Sem clube, muitos dos jogadores então tricampeões nacionais resolveram ir ao precursor do futebol no país. Reforçado por ex-jogadores do Alumni, o Quilmes entrou com força no Campeonato Argentino de 1912, versão AAF (a FAF, Federación Argentina de Football, organizava um certame à parte, vencido pelo Porteño). Na última rodada, os quilmenhos bateram o Racing por 3 x 2 e sagraram-se campeões com 7 vitórias – uma delas por 11x0 sobre o vice-campeão San Isidro – e 1 empate em 10 partidas. No entanto, a conquista não é reconhecida oficialmente, já que os argentinos computam os títulos a partir da introdução do profissionalismo, em 1931.

Depois disso, foram décadas no quase anonimato, com temporadas na primeira, segunda e até terceira divisão da Argentina. Nesse período ocorreu mais uma mudança de nome. Em 1950, o clube abandonou a língua inglesa e adotou o nome atual, Quilmes Atlético Club.

Nesse momento, Quilmes já deixara de ser apenas uma cidade localizada na região metropolitana de Buenos Aires para se tornar sinônimo de cerveja. A cervejaria Quilmes, fundada em 1888, é a maior da Argentina e como o clube, empresta o nome da cidade onde fica sediada. Com o tempo, não foi mais possível dissociar o município da empresa. Por contaminação, os torcedores do Quilmes também ficaram conhecidos pelo país como los cerveceros (os cervejeiros).

O clube só voltou a ter destaque no final dos anos 70. Em 1975, os cervejeiros foram campeões da Segunda Divisão. Naquela época, pode-se dizer que havia dois Campeonatos Argentinos por ano, o Nacional e o Metropolitano. Na prática, valiam a mesma coisa, pois clubes de La Plata, Rosário e Santa Fé também disputavam o “Metropolitano” e o campeão tinha uma vaga na Libertadores do ano seguinte.

Quilmes 1978.jpg

E foi justamente no Metropolitano de 1978 que o Quilmes teve sua maior conquista. Com 22 vitórias, 10 empates e 8 derrotas, os cervejeiros foram campeões argentinos. E não foi fácil. A confirmação do título só veio na última rodada, com uma vitória e virada sobre o Rosario Central por 3 x 2, em Rosário. No final, o clube azul e branco ficou com 54 pontos, um a mais que o Boca Juniors e dois à frente do Unión de Santa Fé.

O título não foi suficiente para colocar o Quilmes entre os grandes. Foram mais 5 campeonatos (somando Metropolitanos e Nacionais) discretos – incluindo um rebaixamento no Metropolitano de 1980 – para que os cervejeiros voltassem ao topo. No Nacional de 1982, os azuis estavam novamente brigando pelo título. Dessa vez, não deu. O Ferro Carril Oeste ficou com a taça. Foi o último suspiro de glória em Quilmes.

Depois disso, os quilmenhos ficaram mais tempo na Segunda Divisão que na Primeira. A última temporada dos cervejeiros na elite foi em 1991-92. Com 21 pontos em 38 jogos (somando os Torneios Apertura e Clausura e considerando que eram computados apenas 2 pontos por vitória), o Quilmes foi rebaixado.

Mas os cervejeiros não morreram. De 1999 a 2002, o Quilmes foi tri-vice-campeão do Torneio Nacional B. Só não subiu porque o regulamento argentino prevê um playoff entre os melhores da Segundona antes de garantir a promoção. E o Quilmes sempre perdia, não importando o adversário (os algozes nesse período foram o Belgrano, o Banfield e o Atlético Rafaela).

Na última temporada, os cervejeiros resolveram investir menos na disputa da Segunda Divisão, contando mais com jogadores da casa. Funcionou. A equipe ficou em terceiro no Nacional B, disputando o jogo decisivo para o acesso com o vice-campeão, os Argentinos Juniors. Após uma vitória por 1 x 0 no estádio Centenario e um empate sem gols no Caballito, o decano argentino conquistou novamente um lugar na elite.

Quilmes x Rafaela 2003 b.gif

Para se manter entre os grandes, o Quilmes seguiu com a política de usar jogadores formados nas divisões inferiores. O jogador símbolo o time é o meia-direita Rodrigo Braña, de 24 anos (6 de Quilmes). Outras duas esperanças dos cervejeiros são os atacantes Diego Torres e Daniel Cigogna. O toque de experiência veio de fora: o meia chileno Rodrigo “Kalule” Meléndez, titular do Cobreloa na última Libertadores.

É cedo demais para dizer alguma coisa, mas a volta dos cervejeiros à Primeira Divisão foi boa. No encontro de caçulas (foto ao lado), o Quilmes bateu o Atlético Rafaela por 3x1 no estádio Centenario, com gols de Ceballos, Cigogna e Benítez. Após a primeira rodada, os cervejeiros são líderes ao lado do Independiente com 3 pontos e 2 gols de saldo.

*

Alguns consideram o Club de Gimnasia y Esgrima de La Plata o mais antigo da Argentina. Realmente, o Gimnasia La Plata foi fundado em 3 de junho de 1887, seis meses antes do Quilmes. Mas os platenses só começaram a praticar o futebol em 1905, quando uma dissidência do Estudiantes formou o departamento de futebol do Gimnasia.

*

Quilmes + Nueva Chicago.jpg

Como todo clube argentino que se preze, o Quilmes também tem (ou teve) um rival histórico. No caso, o Nueva Chicago. As partidas entre os cervejeiros e os toritos tinham um clima de guerra. Essa história mudou em meados dos anos 70, quando os torcedores de ambos os clubes começaram a fazer manifestações pró-Perón. As afinidades políticas motivaram a paz entre eles, oficialmente selada em um jogo em 4 de março de 1973. Hoje, são aliados. E não demorará para o próximo encontro, agora na elite. Está previsto um Nueva Chicago x Quilmes no estádio de Mataderos já no dia 10 de agosto.

*

Entre os grandes jogadores que passaram pelo Quilmes destacam-se Pedro Dellacha e Humberto Maschio (anos 50), Ubaldo Fillol, Daniel Bertoni e Julio Villa (70) e Nelson Vivas (90).

*

Se ninguém se interessar muito pela história do Quilmes, pode ao menos registrar o nome do time. Junto com o Queen’s Park Rangers-ING, o Quixadá-CE e o Quinze de Novembro de Campo Bom-RS, formam um grupo seleto de clubes iniciados com a letra “Q”. Essa informação pode ser útil em partidas de "Stop".

Ubiratan Leal

Imagens: Quilmes (demais) e La Página del Cervecero (distintivo e time de 1978)

Deixe sua opinião (0)

Nedstat Basic - Free web site statistics