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3/08/03

O mundo não é uma bola...

Faltam rivais para o Bayern


Esse fim-de-semana começa mais uma temporada da Bundesliga e a pergunta que boa parte da Alemanha se faz é: “quem poderá fazer frente ao Bayern de Munique?”. Ciente dos riscos naturais de quem afirma alguma coisa antes de um campeonato de futebol começar, já digo que considero o Borussia Dortmund o único rival em potencial dos bávaros. É bem verdade que, se estivéssemos fazendo essa pergunta há um ano, a resposta seria a mesma. Mas, esse ano, a indagação se faz novamente necessária porque, aparentemente, a diferença entre os vermelhos de Munique e os demais clubes aumentou ainda mais, se é que isso era possível.

Na temporada passada, o Dortmund tinha feito grandes contratações como os meias Frings e Kehl. O Bayern de Munique também apostou alto trazendo os meias Ballack e Zé Roberto do Bayer Leverkusen e Deisler do Hertha Berlin. Com todos esses reforços, havia uma esperança de uma disputa ponto a ponto pelo título e, ainda mais, apostava-se que os dois times poderiam ir longe na Liga de Campeões.

Nada disso aconteceu. Depois de alguns tropeços iniciais, o Bayern de Munique liderou o campeonato sem ser ameaçado por ninguém. O último suspiro do Dortmund foi no confronto direto no Primeiro turno, mas, depois de perder essa partida, nunca mais sinalizou que poderia tirar o título da capital da Baviera. Na Liga dos Campeões o desempenho foi invertido, mas, no final, frustrante para os dois times. Os vermelhos conseguiram ser eliminados vergonhosamente na primeira fase sem sequer conseguir um lugar na Copa da Uefa. O time do vale do rio Ruhr teve mais sorte e só não chegou às quartas de final por um gol tomado no último minuto que assegurou o empate do Real Madrid em Dortmund contra os donos da casa.

Para essa temporada, os clubes alemães pouco contrataram. Quer dizer, eles sempre adotaram políticas de compras mais contidas que italianos, espanhóis e ingleses. Com a redução do dinheiro vindo das televisões por causa da quebra do grupo Kirsch, a tendência ficou mais evidente. Mas, mesmo assim, é fácil ver como o Bayern foi mais feliz nas contratações, o que deve aumentar ainda mais a distância entre as duas equipes.

Os bávaros tiveram uma atuação mais eficiente no mercado de pré-temporada, contratando bons jogadores e mantendo a base que ganhou a Bundesliga com uma facilidade constrangedora em 2002-03. Primeiro, contratou o jovem lateral-esquerdo Tobias Rau (ex-Wolfsburg), que, com 21 anos, é uma grande promessa do futebol alemão. Segundo, porque três de seus principais jogadores – Scholl, Deisler e “Brazzo” Salihamidzic – voltam após ficarem quase que toda a temporada passada machucados. Sem contar com a ainda possível contratação do excelente atacante holandês Roy Makaay.

Enquanto isso, o Dortmund teve de tomar cuidado para não ter piorado seu time. Com as contusões dos titulares Frings e Evanílson, a equipe perdeu o lado direito. Além disso, o ambiente não é dos melhores, com constantes brigas de Amoroso com o técnico Sammer (aliás, um dos melhores líberos que vi atuar). É bem verdade que a pré-temporada indica uma reconciliação entre os dois, o que pode estar ligado a mais um desfalque do grupo, a saída do goleiro Lehmann. Reserva da seleção alemã, o novo nº 1 do Arsenal era outro que não se dava muito bem com Amoroso. No entanto, sua ida para a Inglaterra pode tirar do Dortmund uma referência importante em sua defesa.

No âmbito das contratações, não é certo se o goleiro francês Warmuz substituirá Lehmann à altura. No meio-campo, o volante brasileiro de Flávio Conceição foi uma aquisição importante, mas serve apenas para recompor o meio campo com a saída temporária de Frings. Resumindo: o Dortmund não saiu do lugar e terá de contar com uma evolução muito grande na forma técnica dos atletas que ficaram para fazer frente ao atual campeão.

Se os aurinegros estão com problemas, a chance de os demais clubes lutarem pelo título é ainda menor. Apesar do surpreendente vice-campeonato da temporada passada, parece difícil que o Stuttgart possa repetir o bom desempenho esse ano. Sem grandes contratações, chegar entre os cinco primeiros da Alemanha e passar da primeira fase na Liga dos Campeões já seria lucro. Até porque, mais uma vez, o grande objetivo do clube é sanar a grande dívida financeira adquirida nos últimos anos.

Quem deve dar um salto qualitativo é o Bayer Leverkusen, o que não é difícil após a péssima temporada no ano passado, quando escapou do rebaixamento apenas na última rodada. O elenco não é muito bom, mas a presença de jogadores com Schneider, Basturk, Ramelow, Lúcio (por enquanto) e a volta de Nowotny, zagueiro que passou toda a temporada passada recuperando-se de contusão, deve recolocar o time em seu devido lugar, entre os cinco primeiros da Bundesliga. Mas está longe do nível do Bayern de Munique.

Werder Bremen e Schalke 04 continuam sendo grandes no nome. Assim, são capazes de atuações mais que convincentes nos clássicos contra Bayern e Dortmund, por exemplo. No restante do campeonato, fazem campanhas regulares, abusando do direito de perder pontos tolos. Como sempre, lutam por uma vaga na Copa da Uefa, mas só o mais fiel dos seus torcedores acredita no título.

Com esse panorama, parece que a grande expectativa na Alemanha será mesmo se o Bayern lutará pelo título da Liga dos Campeões. Depois do fracasso no ano passado, o sucesso no torneio europeu é quase uma obrigação para eles. Se a Bundesliga for tranqüila, como está se desenhando, os bávaros poderão se concentrar mais na competição continental. E nenhuma cautela é excessiva quando um time alemão se prepara adequadamente para uma competição.

Com a chegada do argentino D'Alessandro (destaque), o Wolfsburg pode ser uma das boas surpresas dessa temporada da Bundesliga

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O Borussia Dortmund acertou a contratação do jovem Malte Metzelder, irmão do zagueiro Christoph Metzelder, destaque da Alemanha na última copa do mundo. Com isso, o clube do vale do rio Ruhr já contratou dois irmãos de jogadores do elenco atual. O outro é o brasileiro Leandro, irmão do lateral-esquerdo Dede.

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O craque Andreas Möller anunciou o fim da sua carreira como jogador. Meia de muita habilidade, foi campeão do mundo com a Alemanha em 1990 e levou o Borussia Dortmund ao título europeu em 1997. Outro jogador da seleção alemã de 1990 que encerrou a carreira foi Thomas Hässler. Com isso, o zagueiro Stefan Reuter, atualmente no Dortmund, é único campeão do Mundial de 90 ainda em atividade.

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A Juventus entrou na briga pela contratação do zagueiro Lúcio. O time de Turim ofereceu 14 milhões de euros pelo jogador. Vendo falhas como a que resultou no gol da Inglaterra na Copa, surge a pergunta: será que ele realmente vale tudo isso?

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Alexander Zickler, veloz atacante do Bayern de Munique, sofreu outra contusão séria que vai tirá-lo de campo por mais seis meses. O jogador que já foi apontado como o sucessor de Klinssmann na seleção alemã, tem umas das carreiras mais tristes e azaradas do futebol atual. Depois de duas boas temporadas no gigante de Munique, esse será o terceiro ano que ele fica de fora da Bundesliga por contusão.

Maurício Aires

Imagens: Bayern Munique, Borussia Dortmund e Wolfsburg

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