http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Foxtrot | Página inicial | Quem é Raynald Denoueix? »

7/08/03

Cultura & Mídia

Enciclopédia Lance do Futebol Brasileiro

Quem fosse há uns anos à seção de esportes de uma livraria grande, veria diversos tipos de livros, como biografias, coletânea de artigos ou causos, história de um determinado clube ou do futebol de uma região e até manuais de treinamento. Encontraria também livros de referência, mas sempre com um tema específico (guia de jogadores, de clubes ou de expressões, só para citar alguns exemplos). Faltava uma publicação que juntasse tudo isso. É justamente para preencher esse espaço que o diário esportivo Lance organizou a Enciclopédia do Futebol Brasileiro. O faz com algum mérito, mas, analisando os dois volumes em que se divide a publicação, pode-se concluir que o livro reflete (para o bem e para o mal) o relativo pioneirismo da empreitada.

Logo na apresentação já se vê uma certa “contaminação” do espírito de guias, anuários ou manuais que já existiam. Assim, os “verbetes” são em blocos, divididos por assuntos. O volume 1 reúne os jogadores (de A a L), clubes e campeonatos estaduais, enquanto que estão na segunda parte jogadores (de M a Z), campeonatos nacionais, interclubes, seleção brasileira, Copas do Mundo, campeonatos entre seleções, técnicos, estádios, árbitros, jornalistas, federações estaduais, dirigentes e, finalmente, o índice remissivo.

Realmente, o formato facilita a consulta quando se busca detalhe de um jogador ou de um clube. No entanto, a tendência de criar itens demais “pica” as informações, que, em alguns casos, acabam divididas. Isso aproxima, em alguns momentos, a enciclopédia de um dicionário, pois mais cita rápido do que explica. Por exemplo, quem quiser saber de Zico, pelo Flamengo, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro terá de juntar os cacos espalhados pelos volumes para montar um vaso. Outro caso clássico é de jogadores que se tornaram treinadores de destaque, que acabaram com dois verbetes, um em cada seção. Seria interessante adotar algum modelo que juntasse mais esse tipo de informação. Talvez nem desse certo, mas é um aspecto que pode ser melhor pensado para o futuro.

De qualquer forma, só a quantidade de tópicos já mostra como a enciclopédia não é preconceituosa com nenhum assunto ligado ao futebol. E isso é um ponto mais que positivo. De fato, um fanático pelo esporte não se preocupa apenas em conhecer os estádios, os jogadores e os clubes. Um adepto fervoroso que se preze se apega a detalhes aparentemente pouco importantes como a carreira de árbitros, técnicos, jornalistas ou qualquer outro assunto que possa alimentar uma conversa de bar. Essa filosofia da publicação é uma clara influência de Marcelo Duarte, supervisor editorial da enciclopédia, autodenominado louco por futebol e amante de curiosidades.

No entanto, a ânsia por falar de tudo e de todos pode ter provocado algumas injustiças. É uma tendência natural e diversas publicações já cometeram esse pecado, o de prestigiar mais atletas, árbitros, jornalistas e clubes da atualidade, até por estarem frescos na memória de todos. Tenho dúvidas se, até o final de 2001, o meia são-paulino Fábio Simplício mereceria mais ter um verbete próprio – e tem – do que o Zague. O mesmo vale para o pequeno Estrela, de Vinhedo-SP, em relação ao Germânia, que virou Pinheiros e saiu do futebol, mas tem um lugar na história do futebol brasileiro. A publicação ganharia se falasse de menos gente e se aprofundasse mais nos que aparecessem.

O fato de haver prioridade ao novo provoca um contraste até curioso. A enciclopédia foi lançada no final de 2001 e, claro, ficou desatualizada. Depois disso o Brasil conquistou sua quinta Copa do mundo, o Santos foi campeão brasileiro, muitas personalidades morreram, Botafogo, Palmeiras e Portuguesa foram rebaixados, o São Caetano foi vice na América... Por isso, quem comprar a Enciclopédia Lance vai receber um terceiro volume, apenas com atualização das informações. O que ocorreu de mais importante nos dois últimos anos está ali. O problema é que a quantidade de atletas e clubes em atividade era tão grande na versão de 2001, que a terceira parte não dá conta de botar todos os verbetes em dia. Assim, o leitor sabe como está o Figueirense hoje, mas não tem idéia da realidade do Gama.

Outro aspecto que causou a mim um certo desconforto é o visual. O projeto gráfico (inspirado no do diário Lance) é poluído e tende a encaixotar o texto. As fotos pareceram soltas e nem sempre se segue o padrão nas ilustrações. Isso me desagrada, mas é uma posição pessoal. Outro leitor pode pensar o oposto.

Como disse logo no início, são problemas mais do que perdoáveis. Outras publicações com esse porte são estrangeiras e, nesse caso, copiar a fórmula seria um erro que a equipe montada pelo diário esportivo não cometeu. Além de a cultura futebolística ser diferente (há uma tradição oral grande no futebol brasileiro), a própria estrutura linear do esporte na Europa facilita a compilação para esse tipo de publicação. O importante é que, mesmo com todos os problemas (a maior parte corrigíveis), a enciclopédia do Lance deve fazer parte da biblioteca de um fanático por dados de futebol.

Mais informações
A Enciclopédia Lance só está a venda pelo site do diário.

Ubiratan Leal

Imagem: Lancenet

Deixe sua opinião (0)

Nedstat Basic - Free web site statistics