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12/08/03

E se...

E se houvesse os Tricolores Anônimos?

O receio de ser rebaixado mais uma vez já está mudando os costumes de tricolores do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Semifinalistas no Brasileirão do ano passado, ambos já dividiam os postos de descenso após a rodada do meio de semana. E estão percebendo que a saída pode estar em palavras e atitudes de apoio do mais próximo.

Na realidade, o que ocorre com gremistas e tricolores cariocas são dois fenômenos relativamente independentes, mas iguais em seus princípios e no nome. Assim, já foram organizadas as primeiras reuniões dos "Tricolores Anônimos", tanto os gaúchos quanto os cariocas. Nelas, torcedores de Fluminense e Grêmio contam as dificuldades que passam por insistirem em torcer por seus times, no sofrimento que isso vem causando e, inclusive, em como tem atrapalhado a vida pessoal.

É como uma reunião dos Alcoólicos Anônimos futebolística. "Eu vim para cá porque não conseguia mais parar de torcer pelo Fluminense. Tentei, minha mulher até me apoiou e fiquei dois meses sem ver um jogo", conta, com certo orgulho, Alencar (nenhum dos entrevistados para essa reportagem quis dar o nome completo). "Mas, esse fim-de-semana, depois do empate com o Cruzeiro, eu tive uma recaída. Vibrei, comecei a achar que o Joel Santana era um gênio e que o Lopes tinha dado um jeito no meio-campo do time", conta. "Depois de perder para o Fortaleza, voltei à realidade e vi que era hora de vir aqui conversar com vocês".

Segundo os organizadores das reuniões, o mais difícil é assumir o problema, já que muitos viciados ainda pensam que são capazes de torcer pelos seus trcolores apenas socialmente e que, se precisarem, param. As reuniões do Fluminense são as mais emocionais, pois há torcedores que insistiram com o clube mesmo depois de 3 rebaixamentos seguidos. Alípio, por exemplo, achou que, com Branco, Paulinho McLaren e Ronaldo, o Flu ia subir para a Série A em 1998. Praxedes admite que, às vezes, pensa que Roger é tão bom quanto o Paulo César Caju e que Ézio é o novo Washington. "Só sairemos dessa se ficarmos juntos", resume Medeiros, o criador do grupo.


Em Porto Alegre a situação é parecida. As reuniões dos tricolores gaúchos começaram depois que Fagundes soube do trabalho dos colegas do Rio. "Lembro-me bem de 91 e não quero passar por aqui de novo", comenta. Por isso, se juntou a seu amigo André e criaram a versão sulista dos Tricolores Anônimos.

Não há muitas diferenças conceituais em relação aos torcedores do Fluminense. Mas os gremistas desenvolveram técnicas radicais para os viciados mais graves. Um dos testes implementados para mostrar que a pessoa consegue deixar o Grêmio de lado consiste em vestir uma camisa vermelha durante uma reunião inteira. "Ninguém consegue, o que mostra que ainda há gente muito apegada ao clube. Essas estão fadadas a sofrer", conta Lobo, um dos gremistas que freqüenta as reuniões há mais tempo. Ele conta que, até agora, apenas André e Fagundes, os criadores dos Tricolores Anônimos porto-alegrenses conseguem usar roupas vermelhas por mais de 20 minutos.

O maior problema do grupo de gremistas é a infidelidade de seus membros. O fato de o time só ter caído uma vez, e há 12 anos, desmemoriou muitos tricolores gaúchos. "É só o time ganhar um joguinho, como aquele contra o Santos no fim-de-semana passado, que já tem gente que põe foto do Jorge Mutt em um t;, dizendo que agora já está tudo bem", comenta Fagundes. "Eles têm de tomar cuidado. Eu já estive no fundo do poço e sei como é difícil sair de lá&", acrescenta.

Tanto os tricolores cariocas quanto os gaúchos confirmam a informação de que foram sondados por um grupo de Salvador. Seriam torcedores do Bahia, motivados pela derrota de 6x0 para o Flamengo, querendo criar outra versão dos Tricolores Anônimos.

Ubiratan Leal

Imagens: O Diário e Ari Ferreira / Lancenet

Obs.: Essa "reportagem" é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência.

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