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21/08/03

Brazil

A Portuguesa está certa


Justamente quando a Portuguesa se recuperava no Campeonato Brasileiro da Série B, mostrando que poderia ficar entre os 8 classificados para a segunda fase, anunciou a venda de seu artilheiro Alex Alves para o Cruzeiro. Foi o suficiente para muitos condenarem a atitude, dizendo que a lusa pensara como time pequeno, preferindo ganhar um dinheiro rápido, mesmo que perdendo a única possibilidade de conseguir o acesso à Primeira Divisão. Mas a Portuguesa agiu de forma correta.

Realmente, Alex Alves era a melhor figura da equipe paulistana no campeonato, sendo decisivo em muitas das partidas da Portuguesa. Mas, analisando friamente, as chances de a equipe subir eram reduzidas mesmo com a presença dele no ataque. Assim, havia um risco do jogador se desvalorizar até o fim da temporada.

Por isso, era importante para a Portuguesa conseguir esse dinheiro rápido. Até porque teria condições de reduzir suas dívidas trabalhistas. No caso da lusa, não são apenas jogadores com salários atrasados, mas porteiros, faxineiros e toda a sorte de funcionário do clube. O torcedor pensa o contrário, mas o salário dessas pessoas é mais importante que se arriscar em uma possibilidade pequena de voltar à elite.

Outros clubes até poderiam segurar a dívida por mais tempo para negociar o jogador apenas quando as possibilidades matemáticas acabassem. Mas a lusa não reúne essas condições, já que funcionários ameaçaram entrar em greve e a rotina do clube estava ameaçada. Além disso, jogadores saíram sem que a Portuguesa recebesse nada, já que tinham direito de se desligar após ficarem mais de 3 meses sem receber o salário. A lei é mais do que correta e o clube deve se adequar a ela.

E foi mais ou menos o que fez a lusa na situação de Alex Alves. Ele não foi, nem ameaçou ir, à Justiça. Mas certamente os dirigentes da Portuguesa preferiam vendê-lo antes que ele entrasse com um processo. Não agiram dessa forma com Ricardo Oliveira e estão até hoje se lamentando pelos dólares perdidos. O importante nesse momento é acertar as contas do clube e, na medida do possível, montar um time.

Não sei se é isso o que se passa na cabeça dos dirigentes da Portuguesa, mas o clube deve entender que essa é uma temporada de ajustes. A saída de Alex Alves deixou os rubro-verdes mais distantes da Série A, mas garantiu a quitação de algumas pendências financeiras. Com são muitas as dívidas, a Segunda Divisão pode ser uma boa oportunidade de arrumar a casa e voltar a crescer. Como a Portuguesa não tem o poder de mobilização de Botafogo e Palmeiras, pode levar mais tempo para terminar esse processo, o que pode exigir mais de um ano na Série B.

Ubiratan Leal

Imagem: Marcelo Ferrelli / A Gazeta Esportiva

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