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31/07/03

Brazil

Seleção sub-24 mostrou força


Desde que aceitou disputar a Copa Ouro com a equipe olímpica, ficou bem claro que o objetivo do Brasil na competição era a de preparar a equipe. Alguns se esqueceram disso pelo caminho e acabaram se abalando com a derrota para o México na final. Mas a verdade é que nossa seleção sub-24 foi muito bem sucedida.

A equipe principal, que conta com competições oficiais e datas determinadas pela Fifa para se reunir, tem dificuldade de criar um conjunto, de entrosar os jogadores. Em um time olímpico. essa realidade é muito mais crítica. Até a Copa Ouro, a única oportunidade de juntar esses jogadores fora em uma competição amistosa em janeiro no Catar. Diego e Robinho foram poupados, os demais jogadores deveriam estar de férias e não houve muito tempo de preparação. Foi um fracasso, tanto que fomos desclassificados pelo Egito.

Assim, o Brasil sub-24 (veja abaixo porque sub-24 e não sub-23) foi à América do Norte para começar efetivamente um trabalho. Não havia uma equipe-base, não havia um esquema tático testado e o treinador não conhecia de perto boa parte dos jogadores. Isso ficou muito claro na partida contra o México pela primeira fase. Culpar apenas a altitude e o azar é muito fácil. O que ficou evidenciado foi a falta de treino e de auto-conhecimento do time.

Contra Honduras já se viu uma clara evolução. Mas o desempenho diante de Colômbia e Estados Unidos é que dá razão ao eventual otimismo do torcedor. Nessas partidas, o Brasil dominou duas seleções experientes e relativamente fortes. No encontro com os norte-americanos, ainda que foi no sufoco e com ajuda da arbitragem (apesar de anularem erradamente um gol brasileiro no tempo normal). De qualquer maneira, a seleção olímpica ganhou com autoridade, não se intimidando com a marcação ríspida dos colombianos ou com a torcida estadunidense. Vale lembrar que a Colômbia é campeã da Copa América e os Estados Unidos ficaram entre os 8 primeiros do último Mundial.

Nesses jogos, deu para ver Kaká e Diego dividindo espaço no meio-campo sem grandes problemas, Nilmar servindo de referência no ataque, Alex e Luisão dando segurança à defesa e o goleiro Gomes mostrando uma segurança que nem todos esperavam. Até o pouco cotado Júlio Baptista merece aplausos.

Isso não quer dizer que esteja tudo bem. O próprio Diego, se não se escondeu, também não foi eficiente como é no Santos. Seu colega Robinho continua sem saber como usar sua habilidade. O também santista Paulo Almeida está se perdendo na própria irritação e o lateral-esquerdo Adriano mal passou do meio-campo. Como o lateral-direito Maicon também não se sobressai tecnicamente, o Brasil contou sempre com poucas opções pelas pontas. Algo que Ricardo Gomes ainda terá de resolver, buscando outros jogadores ou até usando atletas acima de 23 anos (isso apenas nas Olimpíadas, já que o Pré-Olímpico é todo sub-24)

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Acabei não falando da final. Bem, o México mereceu ganhar. E custo a acreditar que a altitude seja o único motivo da vitória mexicana. Realmente, essa é uma das piores equipes mexicanas dos últimos 10 anos e o fato de a Cidade do México estar no meio de uma serra ajudou. Ainda assim, a equipe evoluiu tanto quanto o Brasil durante o torneio. Na primeira fase, as apresentações mexicanas foram muito ruins, para não dizer tristes. Mas a forma como eles se impuseram diante da Jamaica merece algum crédito. Sem contar que, na final, o México mostrou como a experiência pode fazer a diferença em um jogo que a altitude compensava o desnível técnico. De qualquer maneira, esse resultado não tem a menor relevância para a preparação olímpica brasileira e não é demérito a time algum perder do México no estádio Azteca. Por exemplo, esse ano a seleção brasileira principal empatou sem gols com os mexicanos em Guadalajara, uma cidade baixa. Com Ronaldo, Ronaldinho e demais campeões mundiais.

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De acordo com o dicionário, “sub” é uma designação que indica o que está imediatamente abaixo. Assim, chamar a seleção de sub-23 (como todos têm feito) é dizer que só podem participar jogadores de até 22 anos, o que é errado. O correto é dizer sub-24, pois jogadores de 24 anos não jogam, mas os imediatamente mais novos (com 23) podem participar. Da mesma forma, a seleção júnior (que disputará o Pan-Americano) é a Sub-21, não Sub-20.

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É bom o Santos procurar algum definidor de jogadas. Ricardo Oliveira vai fazer mais falta do que faria Robinho.

Ubiratan Leal

Imagens: Yahoo! España

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