Ronaldinho Gaúcho é um grande jogador. Habilidoso, sabe jogar em velocidade e armar jogadas. Porém, em uma análise fria e racional, dificilmente alguém justificará, pelo menos nesse momento, o fato de o meia ter provocado um leilão entre Barcelona e Manchester United.
O jogador formado no Grêmio se destacou no Paris Saint-Germain, mas a campanha do clube no campeonato francês foi anônima. Além disso, não se pode dizer que Ronaldinho tenha mantido uma regularidade muito grande. Sem contar as intermitentes desavenças com o treinador Luiz Fernandez e a insistência em passar o carnaval aqui no Brasil. Esses três fatos já seriam suficiente para acender o sinal de alerta em qualquer diretor técnico de grande clube europeu, pois confirmaria alguns dos maiores preconceitos que os jogadores brasileiros enfrentam no velho Mundo: instabilidade técnica, nostalgia da terra natal e insubordinação. Tanto que os dirigentes do PSG não viam a hora de se livrarem do atleta.
Ainda assim Ronaldinho manteve seu crédito. O fato de o futebol francês ser diminuto perto do espanhol ou do inglês pode até ter ajudado. Se o meia estivesse, por exemplo, no Liverpool, suas atitudes poderiam ser apontadas como causas do mal desempenho dos reds na Liga dos Campeões e na Premiership. Desfazer um estrago desses seria muito complicado. Mas ninguém se preocupa muito com o PSG. Outro fator determinante foi o desempenho do jogador na Copa de 2002. Como seu clube não conseguiu aparecer muito nem na Copa da Uefa, a última aparição importante do jogador se deu pela seleção brasileira. E isso deve ter ficado na mente dos torcedores e dirigentes europeus.
De qualquer maneira, esses pontos não apagam o fato de Ronaldinho ser realmente um bom jogador. Por ser novo, talvez nem tenha tido tempo e oportunidade para se estabelecer entre os jogadores de ponta no futebol mundial. Lembremos que Ronaldinho está com 23 anos. O que é discutível é se ele seria, no imaginário dos torcedores, um substituto à altura de Beckham (28 anos). Voltando ao primeiro parágrafo, é possível ver como, claramente, o inglês tem muito mais apelo comercial.
Mas quem Manchester United e Barcelona poderiam contratar para o lugar do "Spice Boy"? Vale salientar que, a despeito do marketing, Beckham é um excelente jogador, que cruza e cobra falta como poucos. Então, não bastava simplesmente colocar alguém bonitinho. Tinha de corresponder tecnicamente também. Aí está o problema. Quase todos os principais jogadores do mundo estavam indisponíveis, muitos no Real Madrid. Os poucos que não estão com os merengues não são nomes tão fortes, como o apagado Rivaldo ou o pouco reconhecido Nedved. Realmente, só sobrava Ronaldinho Gaúcho.
Consciente disso, o Paris Saint-Germain procurou valorizá-lo ao máximo. Fez um certo terrorismo, ameaçando ficar com ele, indicando que o Real Madrid é que o levaria, acenando positivamente ao Manchester e ouvindo propostas do Barcelona. Tudo isso em público. Além disso, Ronaldinho também ajudou a fazer sua imagem. Malabarista e cheio de ginga, encarnou no estereótipo do jogador brasileiro. O cabelinho diferente o deixou parecido com os integrantes da banda Living Colour, mas ficou como marca própria.
Com tudo isso, o preço do jogador teve um ágio desproporcional, mas os catalães (que acabaram ficando com o meia) também não podem reclamar muito. Essa batalha aumentou as expectativas dos torcedores sobre o jogador que, no final das contas, ganhou a dimensão de um Beckham.
Em sua apresentação, 30 mil torcedores blaugranas foram ao Camp Nou, sendo que 2 mil levaram a camisa 10 com o nome do jogador, acabando com o estoque da loja oficial do clube. No site do Barcelona, chamam Ronaldinho de “O Rei” (assim mesmo, em português). A intenção do Barcelona é realmente essa. Inflar o orgulho de seu torcedor, já cansado de só ver os madridistas terem sucesso doméstico e internacional. Deve ficar só na intenção, pois o Real continua muito mais forte. E, por isso, é bom que Ronaldinho Gaúcho procure não assumir toda a responsabilidade pela campanha do clube nessa temporada. Afinal, nada pior que uma grande promessa não cumprida.
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Talvez o grande reforço do Barcelona não seja Ronaldinho Gaúcho, mas sim, o goleiro turco Rüstü. Desde que Zubizarreta saiu, em meados dos anos 90, os blaugranas não encontram estabilidade no gol. Hesp, Vítor Baía, Dutruel, Arnau, Bonano e Enke, entre outros, foram testados. Os dois primeiros até tiveram momentos bons, mas não deram a segurança exigida pelos torcedores.
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Falando em marketing, Luciano Gaucci, dono do Perugia, continua fazendo das suas. Depois de acertar uma ao contratar Nakata e ganhar muito dinheiro no Japão, o dirigente resolveu atirar para todo lado. Trouxe o sul-coreano Ahn para buscar novos mercados no Oriente. Depois, surtou e demitiu o atacante após este marcar o gol que desclassificou a Itália na Copa de 2002. Voltou atrás, mas, aí, foi Ahn que não quis saber do Perugia. Esse ano, Gaucci chamou o ex-velocista canadense Ben Johnson para ajudar na preparação física dos atletas e já contratou o artilheiro do último campeonato líbio, Al-Saadi Khaddafi (foto), filho do ditador Muamar Khaddafi. Diz que chamou o atacante pela qualidade técnica. Agora, o dirigente apareceu com outra: contratar uma mulher. Pelas regras, mulheres não são proibidas de jogar no futebol masculino (o que não pode é o contrário). Gaucci alega que as mulheres têm tanto direito quanto os homens no mundo de hoje e merecem essa oportunidade. Ele procura uma jogadora alemã ou escandinava por não contarem como extra-comunitária e terem porte físico para encarar a dureza do jogo masculino.
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Na Itália, a confusão na Série B continua. O Venezia entrou na justiça pedindo os pontos da derrota sofrida diante do Catania. Conseguiu. Com isso, o Catania estava rebaixado para a Série C1 independente dos pontos do jogo com o Siena. No entanto, os sicilianos conseguiram reverter a decisão pró-Venezia. O problema é que a também rebaixada Salernitana entrou na Justiça com uma intenção simples: ou caem 4, ou não cai ninguém. Assim, organizar a Série B com 21 clubes ficou legalmente difícil. Mas a Federação insiste em 20 clubes. O presidente do Cagliari ameaçou boicotar os jogos do Catania caso os sicilianos permaneçam. Puro blefe. No fundo, é o começo da briga pela reformulação de todas as divisões do futebol italiano, prevista para 2005-06.
Ubiratan Leal
Imagens: Barcelona e Perugia