Um grupo de defensores da língua portuguesa está tentando acabar com os erros gramaticais tão comuns no mundo do futebol. Ao contrário de outras investidas pela preservação do idioma no futebol, a intenção do Movimento pela Manutenção do Português Correto (MMPC) não é atacar os estrangeirismos. A organização busca apenas corrigir diversos termos futebolísticos gramaticalmente inadequados, de nomes de clubes a expressões utilizados nas transmissões.
O primeiro item a ser atingido são os nomes dos clubes. O movimento defende que a definição de feminino ou masculino deva ser dada pela designação oficial da associação. Por exemplo, o Internacional de Porto Alegre é masculino porque é o Sport Club Internacional, enquanto que a Internacional de Limeira fica no feminino porque é a Associação Atlética Internacional. Da mesma forma, o Marília é masculino, mesmo “Marília” sendo uma palavra feminina. O nome completo da equipe do interior paulista é Marília Atlético Clube.
Resumindo, equipes que se definem como “clube” e “grêmio” deveriam ser chamadas no masculino. “Associações”, “agremiações” e “sociedades” ficam no feminino. “Tem gente que não entendeu nossa proposta e acha isso desnecessário”, afirma Washington Rossi, presidente e fundador do MMPC. “Mas um dos maiores clubes do Brasil é chamado incorretamente no masculino.” Ele se refere ao Palmeiras que, por ser uma sociedade esportiva, deveria ter o nome no feminino.
O segundo ponto, mais polêmico, é a denominação popular dos clubes. Os integrantes do movimento defendem que as equipes sejam conhecidas pelo nome real, não por definições. Assim, mudariam de nome Náutico, Grêmios, Esportivos, Sports e Atléticos. “Chamar um clube de ‘Náutico’ é como chamar o Flamengo de ‘Regatas’”, explica Rossi. Ele considera que o Atlético-PR deveria ser Paranaense, Atlético-MG ficaria como Mineiro, Atlético-GO seria o Goianiense, Grêmio mudaria para Porto-Alegrense, o Náutico passaria a Capibaribe e o Sport viraria Recife. Indagado se isso não poderia desagradar às torcidas, o presidente do MMPC acha que isso é apenas uma questão de falta de costume.
O último item é a ordem da nomenclatura. “atlético clube”, “esporte clube” e “futebol clube” estão vetados, por serem uma tradução literal do inglês “athletic club”, “sport club” e “football club”. De acordo com o uso mais comum na língua portuguesa, o adjetivo fica depois do substantivo, como em “grêmio esportivo”, “sociedade esportiva”, “clube atlético” e “associação atlética”. Assim, clubes com “futebol clube” devem mudar para “clube de futebol” e “esporte clube” passaria a “clube esportivo”. “Pode parecer meio exótico, mas é porque não estamos acostumados”, afirma Rossi. “O Real Madrid, por exemplo, é Real Madrid Club de Fútbol.”
Apesar das polêmicas, a organização não se considera radical. Para eles, radicais eram os que defendiam a latinização da palavra futebol para balípodo ou ludopédio. “Não faz o mínimo sentido, já que futebol já é uma aportuguesação mais que suficiente.” Outro ponto pelo qual os membros do MMPC não se vêem como intransigentes é o fato de aceitarem que clubes como Sport Club Corinthians Paulista, Sport Club Internacional, Fluminense Football Club e Coritiba Football Club mantenham suas designações em inglês, contanto que sigam as normas do idioma anglo-saxão.
Para que as idéias tenham resultado mais efetivo, eles prepararam uma cartilha e pretendem transformar alguns pontos em lei federal. Para tanto, imaginam ter o apoio do deputado federal Aldo Rebello (PC do B-SP). “Ele sempre se disse defensor da língua portuguesa e do futebol brasileiro”, afirma o presidente da associação. “Porque não defender a língua portuguesa dentro do futebol brasileiro?”, completa.
Gilberto Meazza
Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Inclusive, nesse caso, elas sequer existem. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência.