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29/07/03

E se...

E se adequassem os nomes dos clubes?

Um grupo de defensores da língua portuguesa está tentando acabar com os erros gramaticais tão comuns no mundo do futebol. Ao contrário de outras investidas pela preservação do idioma no futebol, a intenção do Movimento pela Manutenção do Português Correto (MMPC) não é atacar os estrangeirismos. A organização busca apenas corrigir diversos termos futebolísticos gramaticalmente inadequados, de nomes de clubes a expressões utilizados nas transmissões.

O primeiro item a ser atingido são os nomes dos clubes. O movimento defende que a definição de feminino ou masculino deva ser dada pela designação oficial da associação. Por exemplo, o Internacional de Porto Alegre é masculino porque é o Sport Club Internacional, enquanto que a Internacional de Limeira fica no feminino porque é a Associação Atlética Internacional. Da mesma forma, o Marília é masculino, mesmo “Marília” sendo uma palavra feminina. O nome completo da equipe do interior paulista é Marília Atlético Clube.

Resumindo, equipes que se definem como “clube” e “grêmio” deveriam ser chamadas no masculino. “Associações”, “agremiações” e “sociedades” ficam no feminino. “Tem gente que não entendeu nossa proposta e acha isso desnecessário”, afirma Washington Rossi, presidente e fundador do MMPC. “Mas um dos maiores clubes do Brasil é chamado incorretamente no masculino.” Ele se refere ao Palmeiras que, por ser uma sociedade esportiva, deveria ter o nome no feminino.

O segundo ponto, mais polêmico, é a denominação popular dos clubes. Os integrantes do movimento defendem que as equipes sejam conhecidas pelo nome real, não por definições. Assim, mudariam de nome Náutico, Grêmios, Esportivos, Sports e Atléticos. “Chamar um clube de ‘Náutico’ é como chamar o Flamengo de ‘Regatas’”, explica Rossi. Ele considera que o Atlético-PR deveria ser Paranaense, Atlético-MG ficaria como Mineiro, Atlético-GO seria o Goianiense, Grêmio mudaria para Porto-Alegrense, o Náutico passaria a Capibaribe e o Sport viraria Recife. Indagado se isso não poderia desagradar às torcidas, o presidente do MMPC acha que isso é apenas uma questão de falta de costume.

O último item é a ordem da nomenclatura. “atlético clube”, “esporte clube” e “futebol clube” estão vetados, por serem uma tradução literal do inglês “athletic club”, “sport club” e “football club”. De acordo com o uso mais comum na língua portuguesa, o adjetivo fica depois do substantivo, como em “grêmio esportivo”, “sociedade esportiva”, “clube atlético” e “associação atlética”. Assim, clubes com “futebol clube” devem mudar para “clube de futebol” e “esporte clube” passaria a “clube esportivo”. “Pode parecer meio exótico, mas é porque não estamos acostumados”, afirma Rossi. “O Real Madrid, por exemplo, é Real Madrid Club de Fútbol.”

Apesar das polêmicas, a organização não se considera radical. Para eles, radicais eram os que defendiam a latinização da palavra futebol para balípodo ou ludopédio. “Não faz o mínimo sentido, já que futebol já é uma aportuguesação mais que suficiente.” Outro ponto pelo qual os membros do MMPC não se vêem como intransigentes é o fato de aceitarem que clubes como Sport Club Corinthians Paulista, Sport Club Internacional, Fluminense Football Club e Coritiba Football Club mantenham suas designações em inglês, contanto que sigam as normas do idioma anglo-saxão.

Para que as idéias tenham resultado mais efetivo, eles prepararam uma cartilha e pretendem transformar alguns pontos em lei federal. Para tanto, imaginam ter o apoio do deputado federal Aldo Rebello (PC do B-SP). “Ele sempre se disse defensor da língua portuguesa e do futebol brasileiro”, afirma o presidente da associação. “Porque não defender a língua portuguesa dentro do futebol brasileiro?”, completa.

Gilberto Meazza

Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Inclusive, nesse caso, elas sequer existem. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência.

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