Em 21 de junho, Palmeiras e Botafogo empatam sem gols no Parque Antárctica. Com os pontos divididos, os cariocas ficaram na 5ª posição, enquanto que os paulistas mantiveram a 8ª, no limite da zona de classificação. Desde então, passaram-se quatro rodadas e os dois grandes da Segundona não perderam um ponto sequer. Hoje, estão disparados na frente, com 4 (Botafogo) e 3 (Palmeiras) pontos de vantagem para o terceiro colocado, o Marília, que tem um jogo a mais. Pode ser um sinal de que já passou o período de adaptação de alvinegros e alviverdes no andar de baixo e que é questão de tempo para retomarem os lugares que historicamente pertencem a eles. Não é bem assim.
A primeira razão para segurar a euforia de botafoguenses e palmeirenses é o regulamento. No caso, foi um tiro no pé. Temendo que as limitações dos próprios elencos colocassem seus times no segundo pelotão, dirigentes dos dois clubes (principalmente do Palmeiras) inviabilizaram o campeonato em pontos corridos em dois turnos. Se assim fosse, já dava para vislumbrar de forma mais clara uma volta imediata dos dois grandes.
Porém, os 24 clubes estão disputando 8 vagas na segunda fase. Na prática, Palmeiras e Botafogo estão apenas garantindo vantagem em eventuais empates nas próximas fases, o que nem sempre faz muita diferença. Vá lá, se garantirem a classificação com bastante antecedência, podem ter algumas semanas cumprindo tabela e se preparando para a decisão. Ainda assim não parece ser muito para quem está tão à frente hoje, pois um jogo perdido fora de hora pode ser definitivo em um quadrangular equilibrado.
Mas o que mais deixa incerta a posição dos dois é a parte técnica. É inegável que as duas equipes “aprenderam a jogar” na Segundona. Não perdem mais pontos fáceis e priorizam a vitória à beleza estética do futebol. Ainda assim, não há uma superioridade técnica avassaladora em relação os concorrentes mais habilitados. O que tem garantido a tranqüilidade de cariocas e paulistas é a estabilidade, não a superioridade. Por isso, se outros clubes postulantes à promoção também encontrarem uma estabilidade maior, poderão se igualar aos dois líderes.
Candidatos a isso não faltam. E dois deles podem já mostrar suas intenções nesse fim-de-semana. O Londrina era apontado, antes do início da Série B, como uma possível surpresa. Manteve a base do último campeonato estadual, desclassificando o Atlético-PR e só sendo eliminado pelo Coritiba nas semifinais pelos critérios de desempate. Mas o Tubarão começou muito mal o campeonato. Com 4 pontos, estava em 20º após a 5ª rodada. A partir daí, os paranaenses conseguiram uma seqüência invicta de sete partidas. Só voltou a perder no último sábado, no Parque Antarctica, após dominar o Palmeiras em boa parte do jogo. Nesse fim-de-semana, o Londrina recebe o Botafogo. Um resultado positivo pode mostrar que os cariocas são atingíveis e colocar os alvi-celestes na briga direta pelas primeiras posições.
O outro clube que terá a oportunidade de esquentar a disputa na Segundona é o Remo. Quarto colocado, recebe o Palmeiras em Belém. Se vencer, fica a apenas um ponto dos verdes, entrando na briga, inclusive, pela primeira posição. A trajetória dos paraenses é semelhante à do Londrina (e a de Botafogo e Palmeiras). Após um início ruim, perdendo de 2x5 para Portuguesa e Santa Cruz, os azulinos se encontraram com Givanildo e parecem ter se estabelecido no G-8.
Além desses, outros clubes que podem deixar Botafogo e Palmeiras mais um ano na Segunda Divisão são Sport e Náutico. A bem da verdade, o rubro-negro de Recife não tem grande campanha no campeonato, mas o bom desempenho na Copa do Brasil (foi semifinalista) indica que (ainda) há motivos para esperança na Ilha do Retiro. Já o Náutico foi o último líder antes da arrancada botafoguense e o único time a derrotar o Palmeiras até agora. O alvi-rubro pode sentir a falta dos 3 pontos perdidos na justiça contra o Joinville, mas também tem força para, na fase final, estragar os planos dos grandes.
Ainda existem outras equipes com chances razoáveis de classificação, mas, hoje, não parecem ter força suficiente para resistir às duas fases seguintes. Nesse grupo estão Portuguesa, Ceará, Marília, Santa Cruz, Brasiliense, Paulista e Avaí.
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Um fator que pode ser determinante em favor de Palmeiras e Botafogo são as respectivas torcidas. Tanto botafoguenses quanto palmeirenses incorporaram o espírito da Segundona e têm seguido os times fielmente. As pressões, é claro, sempre existem, mas são bem menores do que em outros tempos.
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A propósito, a CBF divulgou os clubes com melhores média de público como mandante na Série B: 1º Palmeiras 18.468, 2º Ceará 16.224, 3º Náutico 7.930, 4º Remo 7.523, 5º Sport 7.322, 6º América 7.316, 7º Santa Cruz 6.777, 8º Botafogo 5.952, 9º Brasiliense 5.349, 10º Vila Nova 5.267
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Pelo desempenho demonstrado nos últimos jogos, vejo como mais fácil o rebaixamento do Caxias do que do União São João.
Ubiratan Leal
Imagens: Rogério Lorenzoni / Terra, Verdão.com e Pelo Sport Tudo