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18/07/03

Histórias

A história da Recopa Sul-Americana

A idéia de promover uma espécie de tira-teima entre campeões de dois torneios não é nova. Na Europa, os principais países têm suas Supercopas, disputadas, em geral, uma semana antes do início da temporada em um jogo só. No âmbito continental, a Supercopa européia era decidida entre o vencedor da Copa (depois Liga) dos Campeões com a Recopa (ou Copa dos Vencedores de Copas). Com a extinção dessa segunda competição, em 1999, a Supercopa deu uma vaga ao melhor da Copa da Uefa. Na América do Sul, esse confronto só seria possível com a criação de um torneio que coadjuvasse a Libertadores da América.

Isso ocorreu em 1988, com o surgimento da Supercopa da Libertadores, que reunia todos os campeões da história da Libertadores. Como já havia uma Supercopa, o tira-teima sul-americano recebeu o nome de Recopa (veja o histórico abaixo). Assim, campeão da Libertadores e campeão da Supercopa se enfrentaram todos os anos até 1994. Nessa temporada, o São Paulo ganhou as duas competições, como o Olímpia fizera em 1990. Mas a diferença é que, em 94, havia um terceiro torneio sul-americano, a Copa Conmebol, criada em 1992 como uma cópia mal-feita da Copa da Uefa. Dessa maneira, o Botafogo carioca enfrentou o tricolor paulista.

Mas a Recopa voltou ao normal em 1995. E assim foi até 1998, quando a Supercopa Libertadores foi extinta. Como a Copa Conmebol já estava moribunda (pereceria dois anos depois), não havia mais como seguir com o tira-teima. Aliás, já estava complicado manter o torneio por falta de datas. Na edição de 98, os jogos entre Cruzeiro e River Plate foram, na realidade, válidos pela Copa Mercosul. Como os mineiros eram campeões da Libertadores e os millonarios haviam levado a última Supercopa, o time que vencesse na soma dos resultados ficaria com a Recopa.
A respeito desse período “sabático” da Recopa, é importante lembrar que a Copa Mercosul não serviria como classificatório, pois só reunia clubes de metade dos dez países filiados à Conmebol. Falou-se em um cruzamento preliminar do vencedor da Mercosul com o campeão da Merconorte, mas nunca vingou.

Com a criação da Copa Sul-Americana (embrião da natimorta Copa Pan-Americana) no ano passado, foi possível retomar a Recopa que, com a descontinuidade e a falta de tradição, nunca foi levada muito à sério. Talvez a ida do jogo para os Estados Unidos dê novo fôlego ao tira-tema sul-americano, como os japoneses que ressuscitaram a Copa Intercontinental no final dos anos 70.

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Todas as Recopas Sul-Americanas
1989 – Nacional (URU) 1x0/0x0 Racing (ARG)
1990 – Boca Juniors (ARG) 1x0 Nacional (COL)
1991 – Olímpia (PAR)
1992 – Colo Colo (CHI) 0x0 Cruzeiro (BRA), 5x4 nos pênaltis
1993 – São Paulo (BRA) 0x0/0x0 Cruzeiro (BRA), 4x2 nos pênaltis
1994 – São Paulo (BRA) 3x1 Botafogo (BRA)
1995 – Independiente (ARG) 1x0 Vélez Sarsfield (ARG)
1996 – Grêmio (BRA) 4x1 Independiente (ARG)
1997 – Vélez Sarsfield (ARG) 1x1 River Plate (ARG), 4x2 nos pênaltis
1998 – Cruzeiro (BRA) 2x0/3x0 River Plate (ARG)
2003 – Olímpia (PAR) 2x0 San Lorenzo (ARG)
Obs.: Como venceu a Libertadores e a Supercopa de 1990, o Olímpia foi considerado campeão da Recopa automaticamente.

*

Ao pé da letra, a Recopa Sul-Americana teve duas edições em 1970 e 1971. Era uma tentativa da Conmebol de criar uma versão da Copa dos Vencedores de Copas. Em 1970 disputaram Atlanta (ARG), Canarias (VEN), Deportivo Municipal (PER), El Nacional (EQU), Libertad (PAR), Mariscal (BOL), Rampla Juniors (URU) e Unión Española (CHI). O Mariscal, de Santa Cruz de la Sierra, foi campeão após bater o El Nacional na final (0x0 em Quito e 2x0 em La Paz). Foi o único titulo continental de um clube boliviano. Em 1971 o torneio não foi concluído.

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A Supercopa também tem uma versão anterior. Em 1968, a taça foi disputada pelos clubes sul-americanos que já haviam vencido a Copa Intercontinental (naquele momento, Santos, Peñarol e Racing). Os brasileiros foram os campeões. No ano seguinte, o Estudiantes se juntou ao trio e o título ficou com o Peñarol.

Ubiratan Leal

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