Emplastro Brás Cubas

Socos na parede
Na ponta de faca
Masturbação intelectual
Sexual tecnológica
Afetos privados de voz
E ódios adormecidos do lado esquerdo do estômago
Junto com aquele acarajé lá do centro
Insustentável leveza no plano interpessoal seguida de vômito
Pura catarse
Ou males intestinais
Resolvem-se com uma simples
Dose de tiro na boca
Seguido de novela das oito
Oito orgasmos múltiplos
E uma carta praquela tia sozinha
Que não tem a quem odiar


***
Spleen e charutos again
Já faz tantos anos
O desvairado olhava vitrines no Largo do Arouche
E desenhava seus versos britânicos
Tão paulistanos
Arrogantes
Noturnos
Úmidos
Sua prosa chuvosa
Que cabia tão bem num livro de poesia
E os pederastas continuam lá
No Largo do Arouche
Só as vitrines é que mudaram
E por vezes ouvimos um tiro
Um grito
Por vezes
 Um repórter de um telejornal sensacionalista
Nos faz parecer cariocas
Ou nova-iorquinos
Mas ali está, para provar o contrário, a nossa angustia caótica
O nosso roer de unhas eterno
Nossa alma anti-social 
Afinal continuamos andando sem olhar para os lados
Com uma pressa no peito
Que não há reza que dê jeito
Com essa mágoa constante 
E essa alegria lacônica
Que aparece mas pode desaparecer na próxima estação do metrô

*** Corpo de Latex
Arrumei uma mulher inflável
Toda cheia de curvas
Com reservatório descartável
Posso guardá-la até no meu porta luvas
Sem machucar seu corpo reciclável
Ah!Sua cabecinha de vento
Ela fica tão linda
Quando está esvaziando no leito
O que mais eu poderia querer
É o melhor que se pode obter
Nas lojas lá do centro
De aniversário
Dei-lhe uma bomba de encher bolas
Um presente necessário
Que para outra pareceria esmola
Aí está a grande vantagem
Com ela não gasto nada
Ainda posso levá-la pra passear na minha garagem
Que ela fica toda empolgada
Conversando com o pneu
Enquanto eu
Todo apaixonado Sinto ciúmes e dou-lhe um beijo oxigenado
Pra mostrar que ela tem dono
E que dou conta do recado

***

Haikai

O descongestionante nasal
É real
Mais palpável que finados
Que natal
É mais forte que poesia
Vicia
E faz menos mal

***

Madrugada

Potencializa o vazio do cair da tarde
Regada a cafeína , heroína , estriquinina
Transborda sentimentos
Transpassa máscaras
Dilui ideais em doses constantes de bocejos


O circo

Eu quero um amor regado a lágrimas e a esperma
Amor de pele
De preferência interna
Um caso raro epitelial que nenhum médico saiba decifrar
Nem eu mesmo saiba
Com beijos psicodélicos
Que abram meus horizontes para beijos mais quentes
E mais introspectivos
Nosense inocense
Circense
Capaz de divertir milhões de espectadores alienados de pau duro
Eu quero gozar em público meus dons hormonais
E deixar um rastro de excreções pelo mundo

***

Sutilezas

A poesia resvala
Instiga
A corja de pensamentos
Obscenos
Tardios
Platônicos
A cerveja esquenta
O cigarro apaga
A vida é frouxa
Desajeitada
Turbulenta
A palavra fica
Gravada
Entrecortada
De idéias
A noite só está começando
E a lua já não agüenta mais ficar parada ali
É cedo
A brisa acorda a gente
Um pacto
Com o verso
Sem métrica
Sem rima
Encerra mais um dia

***

Cachorro vagabundo

Os cães de rua é que sabem viver
Sempre quis viver como eles
Caçando comida
Qualquer uma serve
Comendo cadelas
Trepando sem parar
Fugindo dos chutes de bêbados
E mordendo gente que corre com medo
Sempre quis ser o cúmulo da liberdade
O lixo
Sempre fui um tremendo hipócrita

***

A guinada

Um vapor sobe
Sobe uma paz
O superlativo do consumo
O orgasmo potenciado
Cantei blues com boca de mulher negra
Larguei meu emprego de contador num escritório poeirento e cheio de melancolia
Botei minha moral no incinerador
Minha ideologia ficou na escarradeira ao lado da cama
Juntamente com outras excreções...

***

Catarse do amanhã desdentado

Velório no plano horizontal
Fica mais legal
Feito teatro
Ou festa de gala
Problemas resolvidos
Afetos e desafetos por perto
A mão gelada
O cheiro de mofo
Não troco isso por nada

***

Cérebro conservado em temperinhos do deserto

A William S. Burroughs

Lá está o velho junkie
Deitado
inerte
Sua boca fechada diz yeah, yeah, yeah, infinitamente
Sente o sopro da vida em seus ouvidos
é o diabo
está ali há dias
Vive existências em que devora seu próprio intestino para fornecer algumas calorias ao estômago já colado
Seu sangue está borbulhando
células e células e células lutando umas contra as outras em batalhas de trincheiras
onde tumores acabam com a festa com seu sotaque texano
Sua pele esverdeada e coberta de erupções não sustenta mais os ossos
Sua está garganta seca
A mente tem orgasmos e dilúvios de iluminação
enxerga cada um dos cantos do mundo
As sinapses se fazem em universos paralelos
insignificantes para aqueles que acham que a vida tem um verdadeiro significado
E Turbantes fumadores de ópio lhe vendem uma porção de glândulas renais
elas produzem os ecos das palavras não ditas
como são feias essas palavras.
Serpentes enroscam-se em homens
e fazem amor com eles.
Uma calma melancólica cospe aforismos catatônicos cheios de verdades universais
"Hey baby, é isso, é isso!"
Trombones engolem pin ups
E produzem dopamina o suficiente para alimentar o mundo de obscenidades
E o velho junkie só observa e anota, anota e anota
Olha com desdém
E goza feito louco na platéia do circo de horrores
Vários insights tramam o fim do mundo coberto de uma névoa tísica...
As trombetas engajam-se na batida que não cessa
despojada de valores morais e com mares de suor salgado cobrindo a testa
Silêncio...e começa de novo, pápápárarararapá.......
Uma vultosa intenção sai do corpo pra buscar mais mescalina, yage e di-hidroxi-heroína, feita de pesadelos infantis, cheia de vozes e venenos ainda não diagnosticados.
Sirenes sirenes sirenes, úuúuúuú.
E o tédio foca seu interesse do lado de fora
o lado de fora foca seu interesse do lado de dentro
Um cachorro come outro
num mundo sem memórias.
E o velho caminha cheio de si
de chinelos e chapéu
num rasante sobre o silêncio que paira na noite agitada
barulhenta de cacofonia
o ruído da cidade é só distorção do som inicial
Não há nada aqui
só projeções para o futuro planos de aposentadoria
e pais que matam os filhos.
Todos gritando para ouvirem-se a si próprios gritam alto
nenhum retorno
um só ouve o outro
todos gritam e ouvem vozes que não as suas
Todos entram em depressão.
Depressão, nnnnnnão!
As meninas passeiam lânguidas
escondidas em suas próprias vergonhas
Agora só restam bucetas sem valores vagando pelo universo em busca de fluídos
Não temos mais rostos
não passamos de sêmen e pelos pubianos.
O mundo se resume a um grito
sem eco
seco
raivos
e que nunca se acaba
Nada de arranjos vocais.
O beco continua lá
uma sombra passa reto
passa de novo
e volta
entra
sai
e o dedo mindinho começa a orquestrar a sinfonia de uma nota só
dali
da alcova que os ratos deixaram por um cinzento conjunto habitacional.
Uma aflição sem dentes toma conta do mundo.
Semblantes carregados de agonia vendem-se nas esquinas
vendem-se nas esquinas os sorrisos
o conjunto é vendido separadamente
Cada sorriso dura cerca de um nano segundo
mas vale a pena.
As máscaras voltam a seus lugares suscitando um efeito anti-séptico nas entranhas da ordem natural das coisas.
E a sombra do cacto só faz dar um alívio etéreo
azul cintilante
à simbiose do meio e da alma
Cerebro conservado em temperinhos do deserto

Lá está o velho junkie,
deitado,
inerte.
Sua boca fechada diz yeah, yeah, yeah, infinitamente.
Sente o sopro da vida em seus ouvidos,
é o diabo, contando-lhe piadas sobre a morte.
Vive existências em que devora seu próprio intestino para fornecer algumas calorias ao estômago já colado.
Seu sangue está borbulhando,
células e células e células lutando umas contra as outras em batalhas de trincheiras,
onde tumores acabam com a festa com seu sotaque texano.
Sua pele esverdeada e coberta de erupções não sustenta mais os ossos.
Sua está garganta seca.
A mente tem orgasmos e dilúvios de iluminação,
enxerga cada um dos cantos do mundo.
As sinapses se fazem em universos paralelos,
insignificantes para aqueles que acham que a vida tem um verdadeiro significado.
E Turbantes fumadores de ópio lhe vendem uma porção de glândulas renais.
Elas produzem os ecos das palavras não ditas,
como são feias essas palavras.
Serpentes enroscam-se em homens
e fazem amor com eles.
Uma calma melancólica cospe aforismos catatônicos cheios de verdades universais:
"Hey baby, é isso, é isso!"
Trombones engolem pin ups
e produzem dopamina o suficiente para alimentar o mundo de obscenidades.
E o velho junkie só observa e anota, anota e anota.
Olha com desdém.
E goza feito louco na platéia do circo de horrores.
Vários insights tramam o fim do mundo coberto de uma névoa tísica...
As trombetas engajam-se na batida que não cessa,
despojada de valores morais e com mares de suor salgado cobrindo a testa
Silêncio...e começa de novo, pápápárarararapá.......
Uma vultosa intenção sai do corpo pra buscar mais mescalina, yage e di-hidroxi-heroína, feita de pesadelos infantis, cheia de vozes e venenos ainda não diagnosticados.
Sirenes sirenes sirenes, úuúuúuú.
E o tédio foca seu interesse do lado de fora,
o lado de fora foca seu interesse do lado de dentro.
Um cachorro come outro
num mundo sem memórias.
E o velho caminha cheio de si,
de chinelos e chapéu,
num rasante sobre o silêncio que paira na noite agitada,
barulhenta de cacofonia.
O ruído da cidade é só distorção do som inicial.
Não há nada aqui,
só projeções para o futuro, planos de aposentadoria
e pais que matam os filhos.
Não temos mais rostos.
Não passamos de sêmen e pelos pubianos.
O mundo se resume a um grito,
sem eco,
seco,
raivoso
e que nunca se acaba.
Nada de arranjos vocais.
O beco continua lá.
Uma sombra passa reto,
passa de novo
e volta,
entra
e sai.
O dedo mindinho começa a orquestrar a sinfonia de uma nota só,
dali,
da alcova que os ratos deixaram por um cinzento conjunto habitacional.
Uma aflição sem dentes toma conta do mundo.
Semblantes carregados de agonia vendem-se nas esquinas.
Vendem-se nas esquinas os sorrisos,
o conjunto é vendido separadamente.
Cada sorriso dura cerca de um nano segundo
mas vale a pena.
As máscaras voltam a seus lugares suscitando um efeito anti-séptico nas entranhas da ordem natural das coisas.
E a sombra do cacto só faz dar um alívio etéreo,
azul cintilante,
à simbiose do meio e da alma......

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