|
Tubo
de Colostomia
Eles curtiam o marasmo dos mortos. Juntavam entre colchas e assistiam
a vida passar, com a calma melancólica dos zumbis. Aos domingos sentavam
em frente à TV, e ficavam vendo talk shows. Pra eles não fazia muita diferença,
viam a novela e fornicavam depois. Leia
mais.
O Maquinista
Por força do hábito escovou os dentes, penteou o pouco cabelo que tinha,
fez a barba rala, comeu um pão com manteiga e olhou para mulher como se
nada tivesse acontecido. Acendeu um cigarro e tossiu uma tosse porca,
como se tivesse tossindo a vida que incomodava no pulmão fraco. Deu dez
passos até a porta e saiu sem dizer tchau. Leia
mais.
Doll
A menina está assustada. Tenta brincar com a boneca, mas não consegue
parar de tremer. Bate na boneca. Abre as pernas da boneca e bate lá. Está
muito claro ali. "Essa janela! Essa lua", pensa a menina, brava. Leia
mais.
A última viagem
O ônibus passava rasgando e nunca parava. O motorista não era dos mais
contentes com a vida. Envelhecido precocemente, devia ter lá os seus trinta
e alguns anos, por detrás daquela barriga enorme, a cabeça rala e a cara
suada, quase que engasgada com o mundo. Sempre, maquinalmente, o ônibus
não parava naquele lugar naquele horário. Era noite. Madrugada, para ser
mais exato, eram três e vinte cinco da manhã, quando o ônibus não parava.
Leia mais.
O
pivete
O pouco mais de metro enganava: ele era a malandragem em pessoa. Corria
pra cá, pra lá, ciscava, chorava e voltava com o dinheiro. Era só botar
o moleque no colo, negociar um agrado ou senão dar um tapinha na bunda
que ele se inspirava. Inventava história, dizia que a mãe estava doente,
com câncer, veja só, com câncer. Que esperteza! Leia
mais.
O
Herói.
Ele caminha para sua perdição. Sabe disso. Perfeitamente.
Ajeita a arma gelada dentro das calças como se ajeitasse o pênis
duro, assim de lado, duro fora de hora. Pensa na mãe. Se sua mãe
o visse agora... Pensa no pai. Não lembra do rosto dele. Morreu
cedo. Poucas fotos, sabe? O dia está claro como nunca esteve. Tudo
está mais claro que o habitual. Olha para o lado. O comparsa-amigo-cunhado
sentado no chão com uma bala enfiada na barriga. Ele se faz de
forte. Diz que agüenta até o fim. É um herói.
Leia mais.
O
fugitivo e a novela das oito
Jonas corre feito
uma lebre fugindo do predador. Na verdade, ele é uma lebre. O predador,
feroz. Talvez o mais feroz de todos os predadores. Turbinado, maquinado,
tração nas quatro rodas. Uma sirene avisa que é para
sair da frente. Jonas obedece e corre. Vê um portão semi-aberto.
Entra ali mesmo. Despista a polícia, que não desiste e ronda
o quarteirão. Leia
mais.
Todo
o conteúdo deste site pode ser publicado em outros veículos,
desde que o autor seja consultado.
|